Agosto Lilás

Psicóloga alerta para sinais de violência e defende ação conjunta para romper ciclo de agressões

Ana Carolina explicou que a violência doméstica costuma começar de forma sutil, com controle, ciúmes e perda de liberdade, e destacou a importância do acompanhamento psicológico de vítimas e agressores.

Por Mauro Silva11/08/2026 às 19:52

Profissional foi convidada para falar sobre o tema dentro da série de entrevistas pelo Agosto Lilás (Foto: Reprodução)

Dentro da programação do Agosto Lilás, o programa RCN Notícias, da Rádio Cultura FM de Aparecida do Taboado, entrevistou a psicóloga Ana Carolina Barbosa para discutir os aspectos psicológicos relacionados à violência doméstica e os caminhos para prevenir a reincidência dos casos.

Segundo a profissional, não existe um perfil psicológico único que possa ser atribuído aos agressores, mas alguns comportamentos são recorrentes, como a necessidade de controlar a parceira, o ciúme excessivo e a dificuldade de resolver conflitos por meio do diálogo. Humilhações e xingamentos também podem fazer parte desse processo.

Ana Carolina explicou que a violência geralmente não começa com agressões físicas. Antes disso, podem aparecer sinais como controle excessivo sobre onde a mulher vai, com quem conversa e sobre suas próprias decisões. Aos poucos, a vítima pode perder a liberdade e passar a ter medo de expressar opiniões ou tomar decisões por conta própria.

A psicóloga também falou sobre a reincidência de agressores, mesmo depois de denúncias, medidas protetivas ou condenações. Para ela, comportamentos violentos são aprendidos ao longo da vida e, para que haja mudança, o agressor precisa reconhecer que cometeu uma violência e se comprometer com um processo de transformação.

Nesse sentido, Ana Carolina defendeu uma combinação entre responsabilização, educação e acompanhamento psicológico. Para ela, o tratamento pode contribuir para a mudança, mas não existe resultado positivo quando o próprio agressor não reconhece a necessidade de mudar.

A profissional também avaliou a proposta de utilização de tornozeleiras eletrônicas na cor rosa para homens monitorados pela Justiça por violência contra mulheres. Na avaliação dela, a medida pode funcionar como um sinal de alerta, permitindo que outras mulheres reconheçam que aquele homem possui histórico relacionado à violência.

Ao mesmo tempo, Ana Carolina ressaltou que a prevenção precisa ir além da punição. O trabalho psicológico com as vítimas é fundamental para ajudá-las a compreender a situação em que estão inseridas e reconstruir a própria identidade e autonomia.

Ela explicou que muitas mulheres acabam interpretando comportamentos de controle como demonstrações de cuidado, especialmente quando estão inseridas em relações abusivas há algum tempo. Por isso, a educação e a informação são importantes para que consigam identificar quando uma relação deixa de ser saudável.

Ao falar sobre o tratamento psicológico de agressores, Ana Carolina destacou que eles também podem ser acompanhados, mas precisam assumir o protagonismo do processo. Segundo ela, a mudança exige que o homem reconheça o comportamento violento e esteja disposto a aprender novas formas de se relacionar.

No encerramento da entrevista, a psicóloga deixou uma mensagem para as mulheres vítimas de violência: coragem. Ela reforçou que a violência não deve ser normalizada e que família, comunidade, profissionais e instituições precisam oferecer acolhimento, sem julgamentos.

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