Entrevista

Agosto Dourado: fonoaudióloga alerta para importância da amamentação e do apoio às mães

Maristela Bacchi, do SADT de Aparecida do Taboado, destacou em entrevista ao RCN Notícias que o aleitamento materno vai além da alimentação e está diretamente relacionado ao desenvolvimento das funções de sucção, deglutição, respiração e fala.

Por Mauro Silva•20/08/2026 às 17:58

Maristela levou uma boneca para a entrevista, onde ensinou a posição correta para o bebê na hora da amamentação (Foto: Reprodução)

A importância do aleitamento materno para o desenvolvimento do bebê foi o tema da entrevista realizada pelo RCN Notícias, da Rádio Cultura FM de Aparecida do Taboado, com a fonoaudióloga Maristela Bacchi, que atua no Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) do município. A conversa ocorreu dentro da programação do Agosto Dourado, campanha que busca conscientizar, incentivar, apoiar e proteger a amamentação.

Durante a entrevista, Maristela ressaltou que os benefícios do aleitamento materno vão muito além do vínculo entre mãe e bebê. Ela destacou especialmente a importância do colostro, produzido nos primeiros dias após o nascimento, que é rico em proteínas e anticorpos e funciona como uma espécie de primeira proteção imunológica para o recém-nascido.

Segundo a fonoaudióloga, o leite materno é considerado o alimento padrão-ouro para o bebê, especialmente nos primeiros seis meses de vida. Ela alertou que muitas mães podem interpretar a pequena quantidade de colostro produzida inicialmente como falta de leite e acabar desistindo da amamentação antes da descida do leite propriamente dito.

Amamentação também contribui para desenvolvimento das funções orais

Maristela explicou que a fonoaudiologia está diretamente relacionada à amamentação porque trabalha funções do chamado sistema estomatognático, que envolve estruturas da face, boca e pescoço. Entre essas funções estão respiração, deglutição, sucção, mastigação e fala.

De acordo com ela, a sucção realizada durante a amamentação no peito exige um movimento de ordenha que contribui para o desenvolvimento adequado da mandíbula. Esse processo também está relacionado ao desenvolvimento posterior da mastigação e da fala.

A profissional explicou que, na mamadeira, o bebê consegue obter o leite com menor esforço de sucção, o que modifica o padrão de movimentação da mandíbula. Ela ressaltou que isso não significa que toda criança que não é amamentada desenvolverá problemas, mas que a amamentação constitui o processo fisiológico natural para o desenvolvimento dessas funções.

Pega correta é fundamental

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de uma pega adequada. Segundo Maristela, o bebê não deve pegar apenas o bico do seio, mas abocanhar a maior parte possível da aréola.

Estalos durante a mamada podem indicar que a pega não está correta. Além de provocar dor e fissuras no seio da mãe, uma sucção inadequada pode prejudicar a retirada do leite e, consequentemente, interferir na própria produção.

A fonoaudióloga também explicou que alguns bebês podem apresentar dificuldades no reflexo de sucção ou alterações como o frênulo lingual encurtado, popularmente conhecido como “língua presa”. O problema pode ser identificado pelo teste da linguinha e, quando necessário, receber intervenção ainda nos primeiros dias de vida.

Dor e dificuldades não devem ser enfrentadas sem orientação

Maristela também chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas mulheres durante o início da amamentação. Fissuras e dores nos seios são situações que podem ocorrer e, em casos mais graves, evoluir para infecções e mastite.

Ela orientou as mães a não utilizarem pomadas, compressas ou outros produtos por conta própria e a procurarem orientação profissional quando houver lesões mais graves, dor intensa ou sinais de infecção.

Para a profissional, a amamentação ainda é muito romantizada, o que pode fazer com que mães se sintam frustradas quando encontram dificuldades. Por isso, ela considera fundamental a existência de uma rede de apoio, envolvendo familiares e profissionais de saúde.

“Não é fácil”, destacou Maristela ao explicar que os primeiros meses podem ser marcados por cansaço, dor, insegurança e mamadas frequentes. Para ela, o acolhimento e a informação são fundamentais para que a mulher consiga atravessar essa fase.

Posição do bebê também exige atenção

Outro alerta feito durante a entrevista foi sobre a posição do bebê durante a amamentação. Maristela explicou que, especialmente nos primeiros meses, a cabeça do bebê deve ficar elevada e alinhada ao corpo da mãe.

Segundo ela, a posição inadequada pode favorecer a entrada de leite em direção ao ouvido médio, aumentando o risco de problemas como otites. A preocupação está relacionada à anatomia do bebê, já que a tuba auditiva é mais horizontalizada nessa fase.

A profissional demonstrou a posição considerada adequada: o bebê deve ficar de frente para a mãe, com a barriga encostada na barriga dela, a cabeça apoiada na parte interna do cotovelo, o antebraço sustentando as costas e a mão apoiando o bumbum. A cabeça deve permanecer elevada e o bebê precisa realizar uma boa pega no seio.

Rede de apoio é essencial para manter a amamentação

Ao falar diretamente com mães que enfrentam dificuldades e pensam em interromper o aleitamento, Maristela reforçou que elas não devem passar por esse processo sozinhas. Segundo ela, descanso, hidratação e apoio familiar são importantes para a produção de leite e para o bem-estar da mulher.

A fonoaudióloga destacou ainda que existem profissionais especializados em consultoria de amamentação e que as mães podem buscar orientação junto às equipes de saúde. Em Aparecida do Taboado, o SADT também oferece atendimento pelo SUS e pode auxiliar em situações que demandem orientação fonoaudiológica.

Na avaliação de Maristela, o Agosto Dourado tem justamente o papel de ampliar essa conscientização e mostrar que a amamentação, embora natural, não é necessariamente simples.

Para ela, a mulher precisa ser acolhida, informada e apoiada durante todo o processo.
“Que as mães se conscientizem, as famílias se conscientizem e não abandonem a amamentação”, reforçou a profissional ao final da entrevista. Ela destacou que as dificuldades tendem a diminuir conforme o bebê cresce, as mamadas ficam mais espaçadas e o processo de amamentação se torna mais tranquilo para mãe e filho.

Compartilhar esta notícia

Comentários

Sistema de comentários em breve!

Estamos trabalhando para trazer uma experiência incrível de interação.
Em breve você poderá comentar e interagir com outros leitores.

Notícias Relacionadas

Acidente entre carretas deixa dois mortos na BR-158 entre Aparecida e Paranaíba
Geral

Acidente entre carretas deixa dois mortos na BR-158 entre Aparecida e Paranaíba

Batida aconteceu na manhã deste domingo (27/09), no km 120 da rodovia; vítimas são os motoristas.

há 6 dias39
Thalles destaca gestão que amplia atuação da Assomasul nos municípios
Geral

Thalles destaca gestão que amplia atuação da Assomasul nos municípios

A Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul) completa 45 anos nesta terça-feira, 15 de setembro, reafirmando uma trajetória marcada pela defesa do municipalismo e pela união dos 79 municípios do Estado.

há 18 dias57
Aparecida do Taboado chega a 30.189 habitantes e registra crescimento de 1,22%, estima IBGE
Geral

Aparecida do Taboado chega a 30.189 habitantes e registra crescimento de 1,22%, estima IBGE

Município supera a marca de 30 mil moradores e acompanha expansão populacional da região da Rota da Celulose; dados foram divulgados nesta sexta-feira (28/08) e servem de base para o cálculo do FPM.

há cerca de 1 mês1.005